Ele odiava sentir o leve tom de 'não-acredito-em-você' no fundo das palavras dela.Sabia que ela achava que estava convencendo-o de que ela acreditava tanto nele que ele mesmo não precisava fazer isso.Mas ela não sabia que suas mentiras soavam exatamente assim, como mentiras.
Ela estava sempre passando aquele perfume nos pulsos, porque sabia que aquele cheiro ficaria impregnado no ambiente depois que ela batesse a porta da frente e há muito achava que ele não lembrava dela depois que ela saia, aquilo era um lembrete de que ela estava ou esteve ali.
Ele apontava o lápis e rabiscava qualquer coisa no papel, fixando seus olhos sonhadores no que estava rabiscando, as vezes saíam espirais, outras palavras soturnas que saltavam antes que ele pudesse impedir.
Ela pedia que ele fechasse o zíper da saia e até aquilo soava como provocação.
Ele sentia o aroma de sândalo e bergamota no ar e mesmo assim não acreditava que ela era verdadeira quando dissera "eu te amo" da última vez.Construir castelos de vento de repente não parecia mais tão bonito e poético quanto outrora.
E quando ela disse que estava saindo daquele casa para sempre, ele apenas respirou fundo e sorriu para si mesmo.
"Agora sim, eu posso acreditar em mim."
6 Comentários:
Daria um bom curta-metragem, sinceramente.
Tu escreve tão bem, Ana o.o concordo que daria um curta lindo. Se quiser gravar, me chama o/ q ♥
Muito obrigada, garota, você é boa.
Alice, prazer. Você, quem é?
vamos ahuahu eu fico de diretora (H) tá bom, eu deixo tu ser diretora... eu edito os vídeos! tá bom, tu diz o que eu faço porque a história é tua!
e se quebram os grilhões.
=)
Não sei, mas acho que preferia ficar sentindo o cheiro de sândalo com as palavras impregnadas de 'não-acredito-em-você'...
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