Julho 25, 2011

Resultado de escrever com os olhos fechados

Ideias que não se organizam mais, acontece aqui, só para começo de conversa.Ideias vagando entre neurônios e outras ideias antigas, alguns sonhos, alguns rostos e alguns velhos acasos.
Não deve ser tão saudável quanto poético.
A caneta desliza mais rápido no papel do que o pensamento se completa numa dessas frases mentais ridículas, para um primeiro evento, uma atordoação e tanto.Essas frases sempre tão meticulosamente pensadas, umas personalidade tão corruptamente formulada, de repente beira a espontaneidade, ou seria apenas mais um engano para esta alma?

De alguma forma interessante cabem tantas pessoas dentro dessa mente, que deveria ser o caso de cobrar aluguel, muros de concreto fechando os presídios da mente com segurança máxima para que nada, nem ninguém escape sem querer.Muitas placas de "Silêncio" desobedecidas.Um pouco de esquizofrenia adormecida.

Pois é, Pessoa, fazia muito tempo que a metafísica de pensar em nada não dava as caras por aqui...As engrenagens enferrujadas foram abaladas, sujando as mãos com aquele pó avermelhado de quem ousa tocá-las e fazendo um barulho absurdo, quando reativada.

Muitas coisas acontecendo, poucas importando.Seria pior se fosse o contrário.

Mas no final, é sempre a mesma história: Um lugar comum, um eu lírico lúdico e um diagnóstico rotineiro de fuga ao tema.Soluções em cima da geladeira, onde é difícil de criança alcançar.

Abril 07, 2011

Recortes Musicais

Março:

-No repeat:

1-Arcade Fire-Spraw II (Mountains beyond mountains): These days my life, I feel it has no purpose

2-Bidê ou Balde-Mesmo que mude: Para conversar, nunca é muito tarde pra ligar
3-Fall Out Boy-Our Lawyer Made Us Change The Name Of This Song So We Wouldn't Get Sued: Besides we've got such good fashion sense

4-Travis-Driftwood: Low is where your heart is but your heart has to go

5-Nevershoutnever-CheaterCheaterBestFriendEater: You're the type of girl that texts all day and talks all night





Minhas apostas pra o repeat de abril são:

  • Dave Matthews Band-You and me 
  • Alguma do Angles (Strokes)
  • Death Cab For Cutie-You are a tourist

Março 30, 2011

Como me apaixonei por Arquitetura? - Parte I

Trabalhos de faculdade são importantes porque fazem a gente se aprofundar em assuntos que, talvez passassem despercebidos por nós, ou que só fossemos descobrir na vida prática, ou em qualquer outro momento e como diz minha amiga Unilateralidade Bipolar, "A pior coisa que tem, é você ser ignorante sobre algumas coisas.".
Então, no primeiro dia de aula, que calhou de ser, exatamente numa segunda feira, a nossa nem tanto  dignissima professora, nos alertou de que deveriamos escolher um arquiteto e um artista plástico que tiveram bastante influência no Brasil contemporâneo, arquiteturica e artisticamente falando.
Assim começa a história de como eu me apaixonei por arquitetura, um ano depois de entrar no curso.

A escolha:

Eu como a ótima estudante de arquitetura de terceiro período que sou, me dei conta de que conhecia pouquíssimo arquitetos brasileiros (não vou nem comentar que os nomes de fora, os que primeiramente vem a minha mente são os mais tops tops que até vocês que não estudam arquitetura devem conhecer, vai dizer, que nunca ouviu falar de Le Corbusier?Esse lindo?).Assumir a ignorância em vias públicas, é doloroso, mas truth be told né?Nada pior do que quem não consegue reconhecer suas limitações...

Enfim...pus me a pesquisar bravamente joguei no google e achei uma página "Arquitetos Contemporâneos".Encontrei uma série de nomes de impacto e cliquei em alguns na esperança de me apaixonar logo de cara.Mas não, quando eu já começava que teria que cair na rotina e falar de Oscar Niemeyer, como se espera de qualquer grande estudante de arquitetura, eu pensei feministamente:

"Vou falar sobre uma mulher!"

Era perfeito, eu falaria de uma mulher, afinal, seria inovador de qualquer maneira, a gente costuma ouvir falar de arquitetos, mas nunca de arquitetas, e o mais incrível é que as turmas de arquitetura são repletas de mulheres sem piadinhas de engenheiros por favor.

Mas o problema era, de que mulher eu falaria?Além da minha ignorância sobre o tema, seria muito díficil encontrar um nome feminino na história da arquitetura brasileira.Reles engano.

Voltei para a minha pesquisa inicial, e fui procurando os nome do gênero feminino.Se não MIES engano, somei uns dois, apenas.Cliquei na primeira, uma arquiteta interessantezinha até, projetara umas creches, e umas coisas muito coloridas, mas não senti o feeling.
Olhei um pouco mais aquela página...o fundo branco, os nomes azuis, me guiando para outros links, cliquei no próximo nome de mulher e lá estava ela.

Lina Bo Bardi.


                                Lina Bo Bardi, na sala da Casa de Vidro.Phyna!

Março 20, 2011

Janeiro 18, 2011

Claire diz: Eu gosto bastante de ficar sozinha.
Em determinada cena do filme "Elizabethtown", Claire Colburn (personagem de Kirsten Dunst) fala que não sabe sobre muitas coisas, mas sabe bastante sobre as coisas que sabe.No caso de Claire ela sabe sobre pessoas, em geral.No meu caso, eu sei sobre eu mesma.

Sem egocentrismo nenhum.Tá, talvez algum egocentrismozinho...Mas eu realmente sei bastante sobre eu mesma.Eu sei que não podia haver algo mais natural para eu achar que conheço tão bem, porque afinal todo mundo deve se conhecer bem tambem.Mas a maioria das pessoas não sabem muita coisa a meu respeito e eu nem posso cobrar isso delas, porque é uma escolha minha deixar elas a beira da ignorância a respeito desse assunto tão particular para mim.

A verdade é que, eu tenho dois lados da moeda Ana Áurea nessa história.Em uma das faces eu odeio falar a respeito de mim, porque não ache que tenha muita coisa para saber e não acho que seja tão interessante entregar uma super biografia com todos os meus atos e fatos, documentados, contando sobre o que eu já fiz, o que eu faço bem, o que eu não sei fazer.E esse é meu lado humilde e embaraçado.

Na outra face, eu sou uma babaca impiedosa que quer falar tudo que já recolheu no seu computador mental a seu respeito e que passa horas entrevistando-se e criando personagens mentais, falando sozinha e  argumentando possibilidades sobre ser eleita a rainha do mundo inteiro . Nessa parte eu jogo toda a minha felicidade em ser eu, e a vontade de mostrar a todo mundo quem eu sou.Não é um lado do qual eu me orgulhe muito, mas é o que eu mais projeto nesse blog e em outros lugares que eu escrevo e penso que ninguém, além de mim, esta lendo.

Minha relação comigo mesma é a melhor possível e eu sou na verdade introspectiva o suficiente para passar muito tempo só comigo mesma e ter bastante espaço para esclarecer minha personalidade perante myself.A verdade mesmo é que eu acho que se todo mundo parasse para se conhecer melhor tomaria decisões melhores.Se eu que julgo me conhecer tão bem dou umas vaciladas brutais de vez em quando com quem eu costumo me dar tão bem (eu).

Eu acho que tudo começa aqui mesmo.Nesse ponto da conversa.Nós seres humanos temos uma necessidade  mortal de nos estabelecermos em relações com pessoas por vezes tão diferentes de nós, quando na verdade a gente nem mesmo se conhece direito.É aquela história de querer conhecer os países do exterior, sem nem mesmo conhecermos nossas cidades direito.Acabamos caindo em uma armadilha da ignorância.Existem centenas de possibilidades dentro de nós mesmos e a gente quer explorar o desconhecido (sem conotação sexual).A gente se perde e cria conflitos sem termos certezas de que a gente de fato é assim, sem termos base nenhuma para seguirmos os princípios que acreditamos seguir.

Somos seres ricos em ignorância, que não conseguem resolver nem seus problemas internos e já querem salvar o planeta da destruição.E a gente evita a parte da história que mais esta ao nosso alcance, por vezes deixando de lado quem nós somos e querendo nos erguer em cima de morais que nós nem temos.Eu tô divagando há horas sobre a mesma coisa no final,  e veja bem, comecei com uma questão unicamente minha.A importância de me misturar ao mundo é que eu estou no mundo e eu sei quem eu sou, mas enquanto nós nos perdemos e não quisermos focar nessa questão a gente vai ficar parado no mesmo ponto.Já vi algumas campanhas sociais que dizem que as mudanças começam em nós e é clichê (até porque de uma hora para a outra tudo virou clichê no mundo), mas é a pura realidade, a gente tem que adentrar nosso íntimo para parar de jogar papel de bombom no chão, para não largar tudo e ir mendigar na rua, para saber dizer sim ou não às drogas e assim a gente descobre a nossa real personalidade.

Eu foco na personalidade desde que eu descobri o significado dessa palavra, eu não sou do tipo que se baseia em definições e nem acho que exista uma definição única para "personalidade", eu acho que o importante é a gente descobrir que tem uma e que pode ser muito divertido se encontrar com a sua.Sem medo de todos te odiarem, sem a necessidade de montar um personagem que siga os padrões e as últimas tendências, o divertido é um espírito livre capaz de se encontrar em diversos lugares e porque não em diversas pessoas?

E a pergunta final (te enganei, né?Pensou que a pergunta final tinha sido aquela ali de cima!) é, quantas vezes eu falei ''eu'' nesse texto?

Janeiro 03, 2011

Abstração

Rodeado de sorrisos que nada dizem.De brilhos forjados.Reduzidos a fantasmas de madrugadas que se perderam e sentimentos que ficam aos pedaços pela estrada.A vida continua de alguma maneira, seguindo um triunfo entusiasta de palavras que não tem sentido quando ordenadas da maneira que são, seguindo de gargalhadas funestas e um pouco divertidas.O filme está montado.Tanto talento gasto, tão pouco dinheiro.Nenhuma vontade, nem um olhar gravado na memória.

O que realmente importa deveria ficar, mas de repente, nada mais importa.

Porque de uma hora pra outra ninguém se conhecia mais.Ninguém escrevia sobre amor, ninguém falava de realismo, todo mundo vivia de enigma.Palpitações eram bem vindas e sentidos deixavam de ser o rumo tomado, nenhuma mão se tocava, porque todo mundo tinha noção da solidão.E ninguém se perguntava porque estava sozinho ali, era um desmembramento e desmembramento eram bem vindos a aquelas alturas.

Não precisava falar e nem precisava ouvir.

Dezembro 21, 2010

Qualquer coisa que não seja, qualquer coisa.

Abrindo a porta com cuidado, deparou-se com alguém sentado no sofá de costas para a porta do quarto dela.Voltou para trás no mesmo instante, sentindo seu corpo sendo puxado de volta para a bagunça do quarto em que havia estado o dia inteiro.Sempre só, e a vida vai seguindo assim.

Encostou-se na parede.O que diabos ele fazia ali?Era óbvio que era ele, ela conhecia ele de costas, mesmo tendo noção de que ele não devia fazer ídeia de quem quer que ela fosse mesmo de frente.Tinha alguma coisa errada naquilo, devia ter, PRECISAVA ter alguma coisa errada naquilo que justificasse, exatamente aquilo.Além de tudo, quem tinha deixado ele entrar?Ela não entendia, deviam ser umas 10h da manhã e nada daquilo fazia sentido, nada.E tudo por causa de um mísero elemento: Ele.

Ela respirou fundo por 20 segundos contados.Perdida entre a vontade de abrir a porta e perguntar o que significava aquilo e a de correr até o banheiro para ajeitar os cabelos, provavelmente detestáveis devido a noite péssima que havia tido.Não conseguia pensar direito, só conseguia correr até o banheiro e lavar o rosto rapidamente, em seguida, abriu a porta novamente para ver se o que tinha visto era de fato real.

E lá estava ele novamente.Era real, ele realmente estava lá.Mas continuava sem fazer sentido.

-Segunda vez que você abre a porta e não fala comigo.

Ela ouviu a voz dele, sem que ele virasse.

Ela pensou rapidamente no que podia dizer.Mas só conseguiu sair do quarto depois de tanto pensar e se colocar ao lado do braço do sofá.

-Como você sabe?

-Te vi pelo reflexo da tv.-Ele apontou pra televisão.E esse foi o primeiro movimento que ela o viu fazer.Ela ainda não sentia como se pudesse se mexer, nem nada assim.Aquilo tudo era novidade pra ela.

-Então...-Ela ouviu ele falando novamente.

-Então...-Ela sorriu nervosamente.

-É só isso?

Ela queria falar que não era só isso, mas ela não sabia do que ele poderia estar falando.Era ruim ela ter que responder que sim, porque ele parecia muito desapontado, ainda que ela ainda não visse o rosto dele.

-Eu não sei.-Ela conseguiu dizer com uma certa firmeza.

E foi nesse momento que ele virou seu rosto para fitar os olhos dela, ela podia sentir que ele movimentava a cabeça e que os cabelos dele se moviam junto com ela, mas ela não sentia mais nada do que vontade de continuar ali, ela sabia que se olhasse para ele, algo daria errado.

Ela sentia os olhos dele estudando sua face, mas ela não arriscava voltar seus olhos para ele.E só quando o fez, descobriu o porque dessa resistência.

Ela acordou.E voltou para o seu mundo bagunçado e sem emoção.
-2009-